Flauta transversal

São capazes de encantar as almas mais coleantes – que é o tipo de movimento que as serpentes fazem – e de desanimar qualquer iniciado pela sua complexidade técnica. A flauta transversal tem tanto de mágico como de científico (se não acreditam, vejam esta página), e é dos instrumentos mais fascinantes que existem, pelo seu som, pela sua versatilidade, e pela capacidade que tem em impressionar potenciais parceiros. Não acreditam?

Brincadeiras à parte, há milénios que existem instrumentos de sopro, mas a primeira representação de uma flauta transversal surge apenas na arte do período bizantino, ali por volta do século X. Na altura, as flautas eram em madeira e muito usadas por pastores, talvez para passar o tempo ou para acalmar os rebanhos, o que se calhar explica a associação deste instrumento a temas mais bucólicos.

Rapidamente encontrou um lugar nas cortes reais, com compositores a escreverem temas em que a flauta acompanhava outros instrumentos – como Bach e Mozart, por exemplo – .e também no acompanhamento dos exércitos, saindo do campo para os campos de batalha em temas mais marciais.

Foi preciso chegar ao século XIX para que compositores como Claude Debussy lhe dessem as notas certas para brilhar a solo.

Percebem agora o que “coleante” significa?

Ao longo do século XX, a flauta transversal encontrou espaço em géneros musicais tão distintos como o jazz ou no rock progressivo, como no caso dos Jethro Tull. Mas o que distingue uma flauta transversal das outras?

Para já, toca-se soprando ar num orifício que se encontra perpendicular ao sentido do instrumento, e não é de palheta, como outros instrumentos de sopro;. Em vez de ter orifícios que se tapam com os dedos, tem chaves como o saxofone.

Actualmente é feito de metal, ao contrário das flautas dos referidos pastores, e abrange três oitavas que vão de Dó3 (Dó central do piano) até ao Dó6, apesar de flautistas muito experientes poderem conseguir chegar até ao Ré6. Algumas flautas modernas permitem tocar o Si2.

É um instrumento muito exigente, desde a forma como se faz a embocadura (ou se sopra) aos possíveis dedilhados e, por ser muito expressivo, implica uma enorme dedicação do instrumentista. Não é para fracos do pulmão, mas com algum exercício e aulas numa escola de qualidade, tudo é possível. Em Portugal existem muitos flautistas de qualidade, que até têm uma associação que costuma organizar encontros e masterclasses.

Se estão apenas à descoberta da flauta transversal, podem encontrar diversos recursos online, que disponibilizam pautas, exercícios, dicas de manutenção e cuidados a ter para evitar dores de pescoço, braços e mãos. Dois dos mais completos que conhecemos são o da Jennifer Cluff, antiga primeira flautista da Vancouver Island Symphony e o FluteInfo. Se conhecerem outros, partilhem nos comentários.

Tocar flauta transversal foi tão fixe em certa altura do século XX, que o Herbie Mann podia aparecer em tronco nu numa capa de um dos seus discos que as pessoas compravam na mesma. Mas eram os anos 70, por isso, para se ser fixe na altura fizeram-se coisas mais estranhas…

Seja para impressionar alguém  ou apenas para terem um desafio musical de excelência, vejam este modelo bastante em conta que temos disponível no Salão Musical de Lisboa.

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