Harmónicas, relógios e casacos de muitos bolsos

Querem um instrumento relativamente acessível e que podem levar para todo o lado? Está na altura de experimentarem a harmónica.

Harmónicas, gaitas-de-beiços, pianos de bolso, são vários os nomes para este instrumento de sopro, de palhetas livres. O seu antepassado mais distante nasceu na China há cinco mil anos, e partilha uma raiz comum com o acordeão. Quase que conseguimos imaginar um camponês a tocar um blues enquanto contempla os campos de arroz…quase.

A verdade é que a harmónica no seu formato moderno surgiu pelas mãos de um relojoeiro alemão, mas não foi levada a sério. Foram precisos mais 30 anos para que outro relojoeiro alemão (o negócio devia estar muito parado na altura) começasse a produzir em massa este instrumento. Deve ter corrido bem, porque nunca ouvimos falar de relógios Hohner.

Em pouco mais de século e meio acabou por se incorporar no blues e no folk, no jazz e até na execução de peças clássicas. Apesar da maioria destes instrumentos serem relativamente pequenos, existem versões de maiores dimensões para orquestras de harmónicas, com maior abrangência – desculpem a repetição – harmónica.

Portugal tem um historial rico e muito interessante de orquestras deste tipo, com diversos grupos premiados internacionalmente, numa tradição que, infelizmente, parece que se está a perder. Os mais mais crescidos deverão lembrar-se do Mendes Harmónica Trio, uma orquestra familiar que volta e meia nos aparecia na televisão, e do Harmonia, que em trio, quarteto ou quinteto já vai em mais de meio século de história.

https://www.youtube.com/watch?v=Ip2LTO5QBcE

Mas, por onde começar? É que há harmónicas de diversos tipos e tons, mas vamos abordar apenas os dois tipos principais.

 

Cromáticas

Como podem ver pelo nome, este tipo de harmónica não está limitada a uma tonalidade específica (apesar de existirem em várias tonalidades, dependendo da altura do registo), o que a torna bastante flexível e talvez mais complexa de tocar. Mas a liberdade que permite ao executante faz com que seja usada em géneros como o jazz e a música clássica.


Diatónicas

Muito usadas no blues, devido à disposição dos furos que permitem obter o acorde da nota fundamental (I) e o da dominante (V). Como estão fixas a uma escala, é preciso sempre ter mais do que uma, porque nem todos os blues são em Mi. Normalmente, para tocar numa música  que seja em Sol usa-se uma harmónica em Dó.

Logisticamente pode ser complicado, ao ponto de desejarem ter um roadie só para as harmónicas. Ou um casaco com muitos bolsos, como o Neil Young.

Apesar de pequeno e barato, muitas pessoas acham que é um instrumento fácil de tocar. Mas, quando tocam numa harmónica pela primeira vez, parecem uma espécie de Darth Vader musical. Como qualquer instrumento, deve ser levado a sério e precisa de dedicação e esforço para se dominar as técnicas fundamentais e retirar bom som.

Existem muitos tutoriais online que vos podem ajudar tanto nos princípios básicos como na escolha da vossa primeira harmónica. Este senhor recomenda, entre outras, as Hohner Marine Band, a harmónica de blues original, e que foi usada por gente como Paul Butterfield ou Bob Dylan. E são bastante acessíveis.


Vejam as harmónicas que temos no Salão Musical de Lisboa e se tiverem dúvidas sobre qual é a melhor para vocês, nós ajudamos a escolher.

E agora vamo-nos congratular por não termos feito uma única piada infantil neste artigo. Gaita.

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