A minha identidade musical digital

Já dizia o Carlos Tê, pela voz do Rui Veloso, que não se ama alguém que não ouve a mesma canção. A música que ouvimos define-nos e de quem nos rodeamos. Logo na adolescência, juntamo-nos em pequenas tribos musicais, partilhamos as nossas bandas preferidas, vamos a concertos e festivais com os nossos melhores amigos.

Mas longe vão os tempos das mixtapes com músicas gravadas da rádio, ou as tardes em casa dos primos mais velhos a vasculhar os vinis de bandas de que só conhecíamos de revistas estrangeiras que alguns amigos traziam das viagens lá fora – isto para quem é de um tempo mais longínquo, mas que equivale às horas passadas a ver os milhares de pastas com mp3 nos discos rígidos dos amigos, para umas gerações mais recentes.

Hoje em dia, temos toda a música gravada ao nosso dispor. A nossa identidade e hábitos de consumo musicais são registadas, analisadas e divulgadas nas nossas redes sociais digitais. Não é só ter acesso a uma quantidade infindável de artistas de todas as épocas e origens, há redes sociais musicais que não só nos sugerem músicas de que podemos gostar, como amigos com gostos semelhantes. E tudo começa com uma playlist personalizável.

A ferramenta mais popular por entre os utilizadores é o Spotify. Seja na sua versão grátis  – com anúncios ao fim de algumas faixas – ou na versão premium, o Spotify é uma plataforma de streaming de música que nos permite criar ou seguir playlists, enviar as nossas directamente para os nossos amigos ou partilhar online, seguir outros ouvintes, ver as letras das canções. Podemos até manter uma playlist secreta, ou seguir as recomendações geradas pelas nossas preferências musicais.

Outra plataforma – que por acaso utiliza o Spotify como banco musical – é a Last.fm, uma veterana nestas andanças. A Last.fm tem como ponto forte o seu motor de recomendações: basta escolher uma banda e todos os projetos musicais relacionados surgem numa playlist. Esta plataforma foi também a inventora do scrobbling: cada música que ouvimos numa plataforma associada ou no nosso computador é listada no nosso histórico e podemos ver que músicas e músicos ouvimos mais vezes ao longo do tempo. É um serviço gratuito mas o streaming sem interrupções só é possível mediante o pagamento de 3 euros por mês –  e se tiverem uma conta Spotify associada, ainda melhor.

Não nos podemos esquecer do YouTube que, com uploads mais ou menos autorizados, continua a ser um acervo incrível de vídeos musicais, com especial interesse para quem gosta de actuações ao vivo. Para além de grátis, faz parte da nossa identidade Google, e também nos permite viajar através da sua colecção de recomendações.

A verdade é que nunca tivemos tanta música ao nosso dispor e de forma tão imediata. E vocês? Que outras plataformas conhecem e recomendam?

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