Violas de arco Stentor

A viola de arco foi, durante muito tempo, a Gata Borralheira dos naipes de cordas. As suas irmãs más, como os violinos, achavam que o seu papel era menor numa orquestra, e conseguiam ser bastante cruéis. Muitos compositores não extraíam todo o potencial deste instrumento, usando-o apenas como enchimento harmónico nas suas obras, um trabalho pouco desafiante e muito menos vistoso que as linhas melódicas e solos atribuídos aos violinos. Sim: as violas de arco foram vítimas de bullying durante muito tempo.

A viola existe desde o fim do século XIV, e foi um dos instrumentos de cordas que se desenvolveu na altura, e que resultou na família dos violinos. Podemos dizer que a viola era o modelo base dessa família, sendo os restantes membros, variantes: o violino é uma viola mais pequena e aguda. Uma espécie de irmão mais novo.

As diferenças entre os dois terminam no tamanho e na afinação, uma quinta abaixo do violino.  Podemos percorrer quase três oitavas, de dó2 a si4. De resto, são iguais na técnica

E o timbre é mais grave, próprio dos irmãos mais velhos.

Haendel e Bach, como grandes mestres da harmonia, não se esqueceram do papel importante que as violas poderiam ter nas suas composições, mas poucos lhes deram a mesma importância. Durante o período barroco e com a popularização dos quartetos de cordas lá encontrou o seu espaço, em fundo e sem grandes destaques, mas estava presente.

No fim do século XIX, surge Lionel Tertis, que podemos considerar o príncipe encantado da história da viola. Este músico teve uma relação apaixonada com este instrumento, que aconteceu por acaso: quando Tertis tinha 19 anos, um amigo sugeriu que ele tocasse viola no quarteto de cordas que queria formar, porque não havia estudantes de viola na sua escola.

Tertis encarou o desafio com entusiasmo e passou a vida a promover a viola como um instrumento musical de pleno direito, tendo tocado com os maiores músicos da sua época, como Pablo Casals, com quem partilhava o dia de aniversário (ambos nasceram a 29 de Dezembro de 1876).  Ouçam Tertis a tocar Brahms, quando o som ainda era a preto e branco:

Felizmente, os tempos mudaram, e a viola sofre menos com o bullying dos seus irmãos. Muitos músicos contemporâneos, como Christophe Desjardins, revisitam o repertório clássico e barroco onde a viola está em destaque, assim como interpretam e compõem obras modernas, em vários géneros, onde a viola assume o papel principal.


Quem não faz distinções e produz cada instrumento como se fosse o mais importante, é a Stentor. A sua gama destinada a estudantes é bastante acessível e de excelente qualidade, como poderão ver, se nos fizerem uma visita no Salão Musical de Lisboa. Nós prometemos tratar-vos bem.

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